EPIFANIA

Is 60,1-6 | Sl 71(72) | Ef 3,2-3a.5-6 | Mt 2,1-12

BUSCAR O SENTIDO DA VIDA SEM DESANIMAR,

ATENTOS AOS SINAIS E DISPOSTOS A NOVOS CAMINHOS

 

 

    epifaniaNa solenidade da Epifania do Senhor, na qual celebramos sua manifestação a todos os povos, nos deparamos com a narrativa da visita dos “Magos do Oriente” – popularmente conhecidos como “Reis Magos” – ao Menino Jesus. Sua jornada parece motivada pela busca de algo capaz de dar sentido à vida, algo sagrado, digno de adoração, neste caso, mais do que algo, eles procuram uma pessoa – “Onde está o rei dos judeus? […] viemos adorá-lo”. Também nós vivemos em busca de sentido para a vida. Essa busca começa com a contemplação de algo elevado – “Vimos a sua estrela” –, possível por conta da inquietação típica da nossa existência que nos faz questionar quem somos e por que estamos aqui. Nossa vida corresponde a uma peregrinação e a dos magos bem poderia ser a nossa, por isso, vale a pena contemplar alguns aspectos de seu percurso.

     Em primeiro lugar, é necessário ter consciência de que a busca, por mais bem orientada que seja – os magos não foram para qualquer lugar às cegas, tinham a mínima noção de quem estavam procurando e aonde encontrá-lo –, nunca será exata. Nesse processo, podemos esbarrar em pessoas e situações que não condizem com nossa busca, que podem, como Herodes, até aparentar o mesmo interesse que nós, mas que, na verdade, estão comprometidas com outras “buscas”. Se, por um lado, não temos domínio sobre os interesses de outrem, por outro, podemos seguir caminho bem-intencionados e sempre atentos ao que estamos fazendo e se aquilo está de acordo ou não com os nossos princípios. Jesus deixou claro que o diabo é o pai da mentira (cf. Jo 8,44) e que a verdade é que liberta (cf. Jo 8,32). Embora a busca seja muitas vezes árdua, não podemos ceder ao desânimo e deixar passar a oportunidade de chegar ao lugar apontado pela estrela.

     Outra coisa que chama a atenção na peregrinação dos magos são os sinais que vão aparecendo. A estrela é o primeiro deles, é ela que os guia até a Judeia. A vida acontece onde há luz (primeira leitura). O evangelho afirma que, em Belém, os magos viram “de novo a estrela”, isto faz pensar que, enquanto estavam à procura do Menino na sombra de Herodes, a estrela deixou de brilhar. Alguns caminhos que porventura possamos trilhar nos envolvem mais em trevas do que em luz, impossibilitando achar ali o sentido para a vida. Simeão já havia profetizado que Jesus seria “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Onde reina as trevas, não encontraremos Jesus; Maria, sua mãe, também aparece como um sinal, os magos a encontraram com o Menino. Sua presença materna o protege, garante-lhe a vida, diferente de Herodes, que respira morte. Não podemos encontrar Jesus, sacramento do Deus da vida, onde há pessoas comprometidas com a morte, em todos os sentidos. As pessoas comprometidas com a vida fulguram como anúncio da proximidade de Jesus; Após a visita, o sonho também serve de sinal, é nele que os magos discernem um caminho alternativo, mais seguro. Também devemos estar atentos aos “sonhos” que nos impedem de correr perigos desnecessários, são muitas as pessoas e situações que nos livram do mal. Que não nos falte discernimento para perceber os sinais que nos conduzem ao “alvo” de nossa busca.

      Finalmente, podemos contemplar a experiência do encontro que os magos fazem com o “rei dos judeus”. Ao se aproximarem do lugar onde estava o Menino, eles “sentiram uma alegria muito grande”, uma alegria genuína, intensa, que só poderia acontecer diante daquele a quem eles procuravam ansiosamente. E, após o encontro, “eles retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho”. Mais do que para desviar das más intenções de Herodes, os magos assumem uma nova perspectiva para a vida. O encontro com Jesus os transformara. O rei legítimo, expresso numa criança pobre e indefesa, contrasta com o poderio de Herodes. De fato, o encontro com o sentido da vida muda o modo como enxergamos a realidade e o que realmente importa para nós. Que o encontro com Jesus de Nazaré possa nos despertar para novos caminhos, mais autênticos, mais apropriados; que a sua manifestação nos conduza sempre à assunção daquela vida cheio de sentido que todos aspiramos.

PE. ÉVERTON MACHADO DOS SANTOS

Vigário da Paróquia São Dimas

Ó Pai, que manifestastes o vosso Filho para toda a humanidade, dai-nos a graça de encontrarmos nele o sentido para a nossa vida, sem desanimar em nossa busca, atentos aos sinais dos tempos e sempre dispostos a trilhar novos caminhos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.