Fruto de interpretações radicais e equivocadas de textos bíblicos, alguns deles encontrados nas Cartas Paulinas, tais como Efésios 5,22-24, Colossenses 3,18 e Tito 2,3-5, o papel da mulher foi, durante muito tempo, relegado ao plano doméstico.

Entretanto, a partir do Concílio Vaticano II, particularmente graças ao capítulo III § 12 da Dei Verbum, e da Carta Apostólica Mulieris Dignitatem de São João Paulo II, que trouxeram nova ótica para a interpretação das Sagradas Escrituras, o papel feminino no Projeto de Deus vem sendo gradualmente reconhecido.

À exceção de Maria, a Theotókos, figuras tais como as de Rebeca, Tamar, Mirian, Débora, Ana, Agar, Abigail, Betsabá, Jeoseba, Hulda, Rute, Lia, Raquel, Sara, Marta, Noemi, Judite, Loide, Dorcas e Priscila foram vistas, por muito tempo, ligadas a eventos exóticos e não pelo seu papel de líderes influentes em suas comunidades.

Felizmente, reconhece a Mulieris Dignitatem que as mulheres são as primeiras junto à sepultura, as primeiras a encontrá-la vazia, as primeiras a ouvir: “não está aqui, porque ressuscitou, como tinha dito” (Mt 28,6), as primeiras a abraçar os pés de Jesus (Mt 28,9), também as primeiras a serem chamadas a anunciar a ressurreição aos apóstolos (Mt 28,1-10, Lc 24,8-11). O Evangelho de João (cf. também Mc 16,9) coloca em destaque a função particular de Maria Madalena – a apóstola dos apóstolos – a primeira a encontrar o Cristo ressuscitado.

Afirma ainda que “a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude, a hora em que a mulher adquire no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançados até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas do espírito do Evangelho tanto podem ajudar para que a humanidade não decaia”.

Que, a exemplo de Maria e de tantas mulheres de fé e fibra, cada vez mais mulheres assumam seu papel como participantes plenas na vida da Igreja.

 

 

Claudia Alice Motta Dischinger de Lima

Paroquiana da Catedral de São Dimas